Inflação será menor no segundo semestre de 2022, diz Goldman Sachs

Inflação será menor no segundo semestre de 2022, diz Goldman Sachs

Com o IPCA-15 de junho ainda acima do esperado pelos analistas, a agência Goldman Sachs vislumbra a inflação diminuindo aos poucos no segundo semestre, mantendo-se nos dois dígitos até outubro e, possivelmente, acima de 8% em março de 2023.

Assim como o grupo de alimentação no domicílio desacelerou a alta na inflação para apenas 0,08% em junho, versus 1,71% em maio, os bens industriais foram de 1,62% no mês passado para 0,65% neste mês. No caso de serviços, de 1% para 0,86%. Outra medida que pode levar a uma redução um pouco mais forte dos índices de preços é a limitação da alíquota cobrada por Estados no ICMS de energia elétrica e combustíveis. Porém, no resultado geral, o cenário está longe da perfeição: a inflação aos consumidores deve fechar o ano bem acima dos 3,5% da meta de 2022.

Leia mais informações a respeito, abaixo:

 

Menos disseminada, inflação ainda supera 12% em 12 meses

Goldman Sachs estima que, em 12 meses, IPCA ficará acima de 10% até outubro deste ano e acima de 8% até março do ano que vem

O IPCA-15 de junho ficou acima do esperado pelos analistas, mas o indicador mostrou uma inflação um pouco menos disseminada, com desaceleração mais expressiva nos preços de alimentação no domicílio e bens industriais e mais moderada em serviços. No acumulado em 12 meses, porém, a variação segue firme acima de dois dígitos – passou de 12,2% em maio para 12,04% em junho, nessa base de comparação. A inflação elevada e persistente é um dos problemas que mais afetam a popularidade do presidente Jair Bolsonaro. O Goldman Sachs estima que, em 12 meses, o indicador ficará acima de 10% até outubro deste ano e acima de 8% até março do ano que vem.

No mês, o indicador subiu 0,69%, número um pouco superior ao 0,65% da mediana das projeções dos analistas ouvidos pelo Valor Data e acima do 0,59% do mês anterior. O índice de difusão, que mostra o percentual de itens em alta no mês, recuou de 74,93% em maio para 68,94% em junho, mas ainda acima dos 65,67% do mesmo mês do ano passado, segundo números da MCM Consultores Associados. É um percentual que continua alto, evidenciando uma inflação ainda espalhada pela economia.

Medidas que buscam eliminar ou reduzir a inflação dos itens mais voláteis, os núcleos de inflação tiveram alguma desaceleração no IPCA-15. No entanto, a média dos cinco núcleos acompanhados com mais atenção pelo Banco Central (BC) ainda exibiu alta expressiva, passando de 1,1% em maio para 0,89% em junho. Em 12 meses, a taxa acumulada aumentou de 10,14% para 10,43%, aponta a MCM. Em resumo, medidas que procuram excluir choques de preços mais fortes rodam acima de dois dígitos no acumulado em 12 meses. É um nível muito superior às metas perseguidas pelo BC neste ano e no ano que vem, de 3,5% e 3,25%, pela ordem.

Um grupo que mostrou desaceleração de fato significativa foi o de alimentação no domicílio. Depois da alta de 1,71% no IPCA-15 de maio, o avanço em junho foi de 0,08%. Houve recuos fortes dos preços de produtos como cenoura, tomate, batata inglesa, hortaliças e verduras e frutas. Em 12 meses, no entanto, o aumento segue muito expressivo – 16,71% até este mês, próximo do 16,79% do observado até maio, de acordo com a MCM.

A alta dos bens industriais também perdeu força – de 1,62% no mês passado para 0,65% neste mês. Os preços do grupo ficam pressionados por causa de problemas nas cadeias globais de suprimentos, um fenômeno que se iniciou com a pandemia da covid-19 e continuou com a guerra entre Rússia e Ucrânia. Em 12 meses, mostra a MCM, a variação acumulada até junho ficou em 13,95%, um pouco abaixo dos 14,41% registrados até maio.

No caso de serviços, a desaceleração no mês foi mais modesta, de 1% para 0,86%. Em 12 meses, contudo, a taxa acumulada aumentou, porque a variação de junho do ano passado, que saiu da conta, tinha sido mais baixa, de 0,54%. Com isso, os preços de serviços em 12 meses pularam de 8,16% em maio para 8,76% em junho. As cotações do grupo têm subido com força devido ao efeito da reabertura da economia, com o fim das medidas de restrição à mobilidade social adotadas para combater os efeitos da covid-19.

O comportamento dos serviços mais sensíveis à demanda não foi muito diferente, segundo a MCM. A variação no mês recuou de 0,98% para 0,86%, enquanto o acumulado em 12 meses passou de 8,36% para 8,71%. Essa medida exclui os grupos de serviços domésticos, turismo, cursos e comunicação, que pouco reagem ao ciclo econômico.

O IPCA-15 de junho, como se vê, trouxe algumas notícias mais favoráveis sobre a dinâmica dos preços. Com a desaceleração mais forte da economia prevista para o segundo semestre, resultado do ciclo de alta dos juros, a inflação ao consumidor deve perder o fôlego aos poucos. A medida que limita a alíquota cobrada por Estados no ICMS de energia elétrica e combustíveis pode levar a uma redução um pouco mais forte dos índices de preços. Ainda assim, a inflação ao consumidor deve fechar o ano bem acima dos 3,5% da meta deste ano. Além disso, para trazer o indicador mais próximo da meta de 3,25% do ano que vem, os juros terão que ficar mais altos por mais tempo. O IPCA-15 está há dez meses acima de dois dígitos, sendo uma das principais pedras no sapato de Bolsonaro. A menos de 100 dias da eleição, ele tenta reduzir os efeitos da alta de preços a qualquer custo, seja pela redução de impostos de improviso, seja pelo aumento do valor de benefícios como o Auxílio Brasil e o vale-gás, seja pela instituição de uma ajuda aos caminhoneiros.

Fonte: Menos disseminada, inflação ainda supera 12% em 12 meses | Valor Econômico

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