Prévia da inflação para novembro é a maior desde 2002

A variação para o mês de novembro ficou um pouco acima das projeções do mercado financeiro e, com isso, a prévia da inflação alcançou 10,73% no acumulado de 12 meses. Trata-se da maior marca para este intervalo desde fevereiro de 2016 (10,84%).

Na visão de economistas, estes dados jogam mais pressão sobre o Copom (Comitê de Política Monetária do BC), que passou a elevar a taxa básica de juros, a Selic, para tentar conter a inflação. Atualmente, a Selic está em 7,75% ao ano. Para 2022, há especialistas que enxergam a taxa perto de 12%.

Quer saber mais a respeito? Confira matéria completa, abaixo:

 

Prévia da inflação é a maior para novembro desde 2002 e vai a 10,73% em 12 meses

IPCA-15 tem alta de 1,17% neste mês, com pressão da gasolina, diz IBGE

RIO DE JANEIRO – Com a pressão da gasolina mais cara, a prévia da inflação oficial no Brasil avançou 1,17% em novembro. É a maior variação para o mês desde 2002, informou nesta quinta-feira (25) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O dado integra o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15). Em outubro, o indicador havia registrado uma taxa ainda maior, de 1,20%.

A variação de novembro ficou um pouco acima das projeções do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg esperavam avanço de 1,13% na mediana.

Com o resultado de novembro, a prévia da inflação alcançou 10,73% no acumulado de 12 meses. Trata-se da maior marca para esse intervalo desde fevereiro de 2016 (10,84%). Até outubro de 2021, o acumulado estava em 10,34%.

O índice oficial de inflação do país é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), também calculado pelo IBGE.

O IPCA-15, pelo fato de ser divulgado antes, sinaliza uma tendência para os preços. Por isso, é conhecido como uma prévia.

Em 12 meses, o IPCA-15 é mais do que o dobro do teto da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA. O teto da meta em 2021 é de 5,25%. O centro é de 3,75%.

Na visão de economistas, os dados de novembro jogam mais pressão sobre o Copom (Comitê de Política Monetária do BC), que passou a elevar a taxa básica de juros, a Selic, para tentar conter a inflação.

A próxima reunião do colegiado está agendada para os dias 7 e 8 de dezembro. Trata-se do último encontro do Copom em 2021.

Atualmente, a Selic está em 7,75% ao ano. Para 2022, já há economistas que enxergam a taxa perto de 12%.

“A situação é grave. Vai exigir uma atuação mais forte do BC, porque a inflação não vai morrer sozinha. Temos riscos de novos repasses para os preços nos próximos meses”, aponta o economista Reginaldo Nogueira, diretor-geral do Ibmec-SP e Brasília. “O resultado da prévia da inflação coloca mais pressão sobre o Copom.”

Em novembro, todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram alta de preços, segundo o IPCA-15. A maior variação (2,89%) e o principal impacto no índice (0,61 ponto percentual) vieram dos transportes.

Nesse grupo, houve a influência da gasolina, que teve alta de 6,62%. O combustível registrou o maior impacto individual no IPCA-15 (0,40 ponto percentual).

Neste ano, a gasolina acumula um aumento de 44,83%. Em 12 meses, a alta é ainda maior, de 48%.

Outro destaque em novembro foi o transporte por aplicativo, que subiu 16,23%, após avançar 11,60% em outubro.

Por outro lado, houve redução nos preços das passagens aéreas (-6,34%), após fortes altas em setembro (28,76%) e outubro (34,35%).

Depois dos transportes, os grupos que mais impactaram o IPCA-15 foram habitação (1,06%), saúde e cuidados pessoais (0,80%). Os pesos no índice de novembro foram de 0,17 ponto percentual e 0,10 ponto percentual, respectivamente.

Em habitação, a maior contribuição veio do gás de botijão (4,34%). Os preços do item subiram pelo 18° mês consecutivo, acumulando 51,05% de alta no período iniciado em junho de 2020.

A energia elétrica (0,93%), por sua vez, teve variação menor do que em outubro (3,91%). Contribuiu com 0,05 ponto percentual no índice deste mês.

Desde setembro, o país convive com a bandeira tarifária de escassez hídrica, que acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh (quilowatt-hora) de consumo.

Já o grupo de saúde e cuidados pessoais foi influenciado pelos itens de higiene pessoal (1,65%) e produtos farmacêuticos (1,13%).

“O IPCA-15 confirma uma percepção muito negativa para a inflação no Brasil. A gente olha não só o forte impacto da gasolina, vê uma inflação em quase todos os itens”, afirma a economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte.

“As apostas para o BC devem ser de aumento no ritmo de ajuste da Selic na reunião do começo de dezembro. A gente tem um cenário para 2022 muito ruim.”

A escalada inflacionária tomou forma ao longo da pandemia. Após paralisar cadeias produtivas globais, a Covid-19 gerou gargalos no abastecimento de insumos em setores diversos.

O reflexo da escassez de matérias-primas foi a subida de preços no mercado internacional.

No Brasil, essa pressão de custos foi intensificada pela desvalorização do real ante o dólar. Em meio a tensões na área política e incertezas fiscais, a moeda brasileira ficou fragilizada na comparação com a americana.

A taxa de câmbio é um dos critérios usados pela Petrobras para definir os preços dos combustíveis em suas refinarias. Logo, ao subir, o dólar impacta itens como óleo diesel e gasolina no Brasil.

Não bastasse a alta dos combustíveis, que encarece o transporte de mercadorias e passageiros, o país também foi afetado neste ano pela crise hídrica.

A falta de chuva forçou o acionamento de usinas térmicas, com custos mais altos para geração de energia elétrica. O resultado é a conta de luz mais alta nos lares brasileiros.

A seca ainda prejudicou o plantio e a colheita de diferentes culturas no país, pressionando o preço final dos alimentos até nas gôndolas dos supermercados.

Analistas do mercado vêm elevando as projeções para o IPCA. A estimativa mais recente que aparece no boletim Focus, divulgada pelo BC na segunda-feira (22), indica avanço de 10,12% ao final de 2021.

A projeção chegou a dois dígitos após o mercado enxergar riscos fiscais maiores para o Brasil.

A ameaça para o rumo das contas públicas ficou mais nítida no final de outubro, depois de o governo federal colocar em xeque o teto de gastos para pagar emendas parlamentares e também elevar o valor e o número de beneficiários do Auxílio Brasil, o substituto do Bolsa Família.

A incerteza fiscal é considerada um fator que pode afastar investidores do país, reforçando a desvalorização do real frente ao dólar.

O economista Fabio Astrauskas, sócio-diretor da Siegen Consultoria, lembra que os aumentos dos preços neste ano também representam uma ameaça para a inflação de 2022.

Esse risco existe porque contratos diversos são reajustados pela inflação de períodos anteriores.

“Há uma inércia inflacionária. Ou seja, a inflação passada alimenta a futura”, diz. “Isso torna mais difícil o combate ao aumento dos preços”, completa.

Conforme os dados do IPCA-15, 7 das 11 capitais e regiões metropolitanas contempladas pela pesquisa tiveram inflação prévia de dois dígitos no acumulado até novembro.

Curitiba (PR) registra a maior alta: 13,69%. Brasília (DF) está na outra ponta da lista, com a menor inflação acumulada, de 9,77%. Em São Paulo (SP), a variação foi de 9,82%, a segunda mais baixa, embora siga próxima dos 10%.

 

Fonte: Prévia da inflação é a maior para novembro desde 2002 e vai a 10,73% em 12 meses | Mercado | Folha de S. Paulo

Sobre o autor

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat. Duis aute irure dolor in

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Siga nosso blog

Digite seu email para acompanhar nosso blog e receber notificação de novos conteúdos.