O ex-titular da Secretaria Extraordinária de Reforma Tributária, Bernard Appy, alertou que a tentação de utilizar a transição tributária para elevar margens de lucro pode ser um erro estratégico das empresas. Segundo ele, o mercado será o juiz nesse processo. Se uma companhia tentar embutir ganhos artificiais nos preços enquanto o concorrente faz o cálculo tributário correto e mantém a margem, este último ganhará fatia de mercado rapidamente. Appy reforça que muitas companhias estão focadas apenas no impacto da reforma sobre suas vendas, esquecendo-se de analisar a redução de custos que virá nas aquisições de insumos, fator essencial para manter a competitividade no novo cenário.
Para os próximos meses, o ex-secretário defende a criação urgente de um sistema de consulta ágil, capaz de sanar as inúmeras dúvidas específicas que o regulamento 1.0 ainda não resolveu. Ele destaca que o momento não é de “procurar pelo em ovo” ou tentar obter vantagens individuais em cada brecha da norma, mas de focar no diálogo cooperativo entre os setores público e privado. Para Appy, a viabilidade do novo sistema depende do bom senso coletivo e da compreensão da lógica de crédito e débito da reforma, garantindo que o Brasil ganhe eficiência sistêmica em vez de se perder em novos contenciosos.
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