Por décadas, o Brasil foi visto pelo capital estrangeiro como um mercado de enorme potencial, mas cercado por complexidade burocrática. Ocupar a 184ª posição em um ranking de 190 países no quesito sistema tributário, como apontado pelo Banco Mundial, criou uma barreira que afastou investimentos estrangeiros em alguns setores. No entanto, a Reforma Tributária dá sinais de que é possível mudar essa percepção. A nova organização interna de alíquotas pode acelerar também a competitividade internacional e atrair para o Brasil capital de outras nações.
O Investimento Estrangeiro Direto (IED) é, por natureza, sensível à previsibilidade. O investidor global não foge necessariamente de impostos, mas foge da insegurança jurídica e do contencioso infinito. Ao alinhar o sistema brasileiro aos padrões da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e modernizar a tributação sobre o consumo, o Brasil envia um recado de confiabilidade. Enquanto ocupava o Ministério da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que a transição para um modelo digital, com uma infraestrutura de processamento 150 vezes maior que a do Pix, promete trazer um nível de transparência inédito. Essa evolução, impulsionada por mecanismos como o split payment, permite que o capital internacional visualize com clareza a carga efetiva e a recuperação de créditos, eliminando as distorções que antes corroíam as margens de lucro de forma imprevisível.
Para os exportadores, o impacto é ainda mais direto e transformador. A desoneração completa das exportações e dos investimentos, pilar central da Reforma, permite que o produto brasileiro chegue ao mercado externo sem resíduos tributários escondidos ao longo da cadeia produtiva. Em um momento de redesenho das cadeias globais de suprimentos, em que as empresas buscam fornecedores em países com ambientes regulatórios estáveis, essa eficiência fiscal pode trazer um olhar diferente para o Brasil. O sistema deixa de ser um peso na mochila do exportador para se tornar o motor que facilita a entrada em novos mercados, aumentando a produtividade e incentivando aportes em inovação e tecnologia.
Mas é preciso maturidade para entender que a simplificação do sistema não significa o fim da responsabilidade administrativa. Pelo contrário, a Reforma simplifica parte do processo, mas não elimina a necessidade de controles internos, compliance e tecnologia para garantir a segurança e a eficiência de grandes empresas. Em uma transição dessa magnitude, a convivência entre o antigo e o novo regime exige uma governança impecável. A transformação digital e os processos de auditoria interna continuam sendo escudos necessários para que as empresas naveguem nesse período de mudança aumentando sua confiabilidade para acionistas e parceiros internacionais.
O êxito do Brasil em se tornar um destino que atraia um volume maior de capital global depende de uma execução coerente e de uma comunicação transparente com o mercado. A Reforma é o passaporte para o crescimento, mas a jornada exige planejamento. As empresas que modernizarem seus sistemas e refinarem suas conformidades, serão as primeiras a colher os frutos de um país que, finalmente, parece decidido a trocar a ineficiência pela competitividade global. O Brasil está no radar, é crucial estar pronto para a nova realidade.

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